1. Mentalidade de atendimento
A primeira boa prática é entender que suporte não é simplesmente responder tickets.
O objetivo é:
Entender o problema → identificar a causa → orientar corretamente → validar a solução → registrar o conhecimento.
Alguns princípios importantes:
Não responder apenas para “tirar o ticket da fila”.
Não assumir que o problema é um bug antes de investigar.
Não assumir que o cliente está errado.
Não assumir que o sistema está errado.
Sempre tentar entender o cenário completo.
Buscar a causa, e não apenas tratar o sintoma.
Quando não souber, investigar antes de responder.
Nunca inventar uma resposta para demonstrar segurança.
Se precisar escalar, escalar com contexto e evidências.
“Nosso objetivo não é fechar tickets. É resolver problemas.”
2. Boas práticas de comunicação com o cliente
Aqui existe uma diferença importante entre ser rápido e ser eficiente.
Evitar
“Vou verificar.”
“É problema do sistema.”
“Isso é com o Sankhya.”
“Vou passar para o desenvolvimento.”
Essas respostas não ajudam o cliente a entender o que está acontecendo.
Preferir
“Vou analisar o comportamento apresentado comparando o cenário no aplicativo com as informações do ERP. Assim consigo identificar se estamos diante de uma configuração, integração ou comportamento do produto.”
Isso demonstra processo e domínio técnico.
Regra importante
Sempre que possível, a comunicação deve responder três perguntas:
1. O que identificamos?
2. O que estamos fazendo?
3. Qual é o próximo passo?
Exemplo:
“Identificamos que o pedido está sendo enviado corretamente pelo aplicativo, porém a informação não está sendo refletida no ERP. Vamos validar agora o retorno da integração para identificar em qual etapa ocorre a divergência.”
Isso reduz muito a ansiedade do cliente.
3. Nunca pedir informação que já está disponível
Uma das coisas que mais prejudicam a experiência do cliente é fazer o cliente repetir informações.
Antes de perguntar:
“Qual é o código do pedido?”
verifique se ele já informou isso.
Antes de perguntar:
“Qual versão do aplicativo?”
verifique se essa informação já está disponível no ticket.
Antes de solicitar novamente um print, vídeo ou evidência, veja se o cliente já enviou.
Regra:
Leia o histórico inteiro antes de responder.
Principalmente quando o ticket possui várias interações.
4. Fazer perguntas técnicas, não perguntas genéricas
Uma boa análise começa com perguntas que reduzem o espaço de investigação.
Em vez de:
“O que está acontecendo?”
Preferir:
“Esse comportamento ocorre com todos os pedidos ou somente com esse pedido específico?”
ou:
“O problema ocorre para todos os representantes ou somente para esse usuário?”
ou:
“O produto possui estoque no local 109001 no ERP?”
Isso transforma o atendimento em uma investigação estruturada.
5. Reproduzir o problema sempre que possível
Uma das melhores práticas de suporte técnico é:
Não confiar apenas na descrição do cliente.
Quando possível:
Entender o cenário.
Reproduzir.
Comparar o resultado esperado com o resultado obtido.
Identificar onde ocorre a divergência.
Só então definir a causa provável.
Por exemplo:
Esperado:
Produto deve utilizar o local 109001.
Obtido:
Aplicação utiliza o local 108001.
Investigação:
Qual local está configurado no produto?
Qual local está configurado na TOP?
Existe estoque?
Existe regra de prioridade?
O ERP retorna o local?
O aplicativo está sobrescrevendo a informação?
O comportamento ocorre em outros produtos?
Isso é muito mais eficiente do que simplesmente abrir um bug.
6. Diferenciar sintoma de causa
Imagine:
“O pedido não sincroniza.”
Isso é o sintoma.
A causa pode ser:
erro de autenticação;
falha na API;
parâmetro;
cadastro;
timeout;
versão do aplicativo;
erro no ERP;
inconsistência de dados;
regra de negócio;
problema de infraestrutura.
Então o analista não deveria registrar:
“Pedido não sincroniza.”
E sim algo como:
“Pedido 12345 não foi sincronizado. Durante a análise, identificamos que a API retorna erro X ao processar o item Y.”
Isso muda completamente a qualidade do suporte.
7. Diferenciar configuração, operação, integração e bug
Configuração
O sistema está funcionando corretamente, mas existe uma configuração inadequada.
Operação
O sistema está funcionando conforme projetado, mas o usuário está realizando uma operação diferente da esperada.
Dados
Existe alguma inconsistência ou ausência de informação nos cadastros.
Integração
O problema ocorre na comunicação entre sistemas.
Bug
O comportamento observado é diferente do comportamento especificado/esperado mesmo com configuração e dados corretos.
Evolução
O sistema funciona conforme especificado, mas o cliente deseja um novo comportamento.
Isso evita um problema muito comum:
Transformar qualquer dificuldade do cliente em bug.
8. Antes de escalar para desenvolvimento
Essa é uma das práticas mais importantes para o relacionamento entre Suporte e Desenvolvimento.
Um ticket não deveria chegar para desenvolvimento simplesmente assim:
“Cliente informou que não funciona.”
O desenvolvimento precisa receber um pacote de investigação.
Idealmente:
Contexto
O que o cliente está tentando fazer?
Cenário
Qual cliente, usuário, pedido, produto, operação etc.?
Comportamento atual
O que está acontecendo?
Comportamento esperado
O que deveria acontecer?
Evidências
prints;
vídeos;
logs;
payload;
retorno da API;
SQL;
IDs;
horários;
versão;
ambiente.
Testes realizados
O que o suporte já tentou?
Resultado dos testes
O que cada teste apresentou?
Conclusão
Por que o suporte acredita que seja um problema de desenvolvimento?
9. Nunca escalar um problema sem tentar entender a causa
“Escalonamento não é transferência de responsabilidade. É continuidade da investigação.”
Antes de enviar para desenvolvimento, o analista deveria conseguir responder:
“Por que acredito que isso seja um problema do produto?”
Se você não consegue responder, provavelmente ainda precisa investigar.
10. Boas práticas com banco de dados
Antes de executar um SELECT:
Entender:
qual informação está procurando;
qual tabela provavelmente armazena essa informação;
qual relacionamento existe;
qual campo identifica o registro.
Ao utilizar SQL:
Preferir consultas controladas e específicas.
Evitar:
SELECT *quando não há necessidade.
Preferir:
SELECT CODPROD, DESCRPROD, CODLOCALPADRAO
FROM TGFPRO
WHERE CODPROD = 2005;Isso facilita a análise e reduz ruído.
Outra boa prática:
Não confiar em apenas uma tabela.
No Sankhya, muitas análises precisam cruzar informações de:
cabeçalho;
itens;
produtos;
estoque;
parceiros;
empresas;
locais;
TOP;
parâmetros;
configurações.
O analista deve entender a relação entre as informações, e não apenas procurar um campo.
11. Documentar o que descobriu
Se um analista passou 40 minutos investigando determinado comportamento e descobriu a causa, essa informação não deveria morrer dentro daquele ticket.
Perguntas importantes:
Isso pode acontecer novamente?
Outro analista poderia receber esse mesmo problema?
Existe algum conhecimento que deveria entrar na base?
Se sim, documentar.
Isso cria um ciclo:
Ticket → Investigação → Solução → Conhecimento → Base → Atendimento mais rápido.
Esse é um dos pontos que mais pode ajudar vocês a reduzir dependência de pessoas específicas.
12. Não guardar conhecimento “na cabeça”
Isso é particularmente importante para pessoas mais experientes do time.
Se somente uma pessoa sabe:
determinada configuração;
determinado SQL;
determinada regra;
determinado fluxo;
determinada integração;
vocês têm um ponto único de dependência.
O conhecimento deve sair da pessoa e ir para:
Base de conhecimento;
documentação técnica;
procedimentos;
artigos;
exemplos de tickets;
consultas SQL úteis.
13. Sempre registrar a solução de forma reproduzível
Uma boa documentação não deveria dizer somente:
“Foi ajustada a configuração.”
Melhor:
“Acesse X → localize Y → altere o parâmetro Z → salve → sincronize → valide novamente.”
A diferença é enorme.
A primeira frase informa o que aconteceu.
A segunda ensina como resolver.
14. Cuidado com versões
Quando houver comportamento inesperado:
Verificar:
versão do aplicativo;
versão disponível atualmente;
versão do backend;
versão do Manager, quando aplicável;
se outros usuários apresentam o mesmo comportamento;
se o problema começou após atualização.
Uma pergunta importante:
“Esse problema começou depois de alguma atualização?”
Pode economizar muito tempo.
15. Comparar cenários
Uma técnica extremamente poderosa para suporte:
Cenário que funciona × cenário que não funciona
Exemplo:
| Informação | Funciona | Não funciona |
|---|---|---|
| Usuário | João | Pedro |
| Produto | 1001 | 1002 |
| Empresa | 1 | 1 |
| TOP | 3101 | 3101 |
| Local | 109001 | 108001 |
| Versão | Atual | Atual |
A diferença entre os cenários frequentemente revela a causa.
16. Encerramento também faz parte do atendimento
Fechar ticket não significa apenas mudar o status.
Antes de encerrar:
A solução foi aplicada?
O cliente conseguiu realizar a operação?
O comportamento foi normalizado?
Existe alguma pendência?
A orientação foi suficientemente clara?
Sempre que possível:
Confirmar a resolução antes do encerramento.
17. Criar um padrão mínimo de qualidade para todos os tickets
Antes de responder
Li todo o histórico?
Entendi o problema?
Sei qual é o comportamento esperado?
Tenho evidência suficiente?
Durante a análise
Consigo reproduzir?
Comparei cenário funcionando × não funcionando?
Validei configuração?
Validei dados?
Validei versão?
Validei integração?
Consultei a base?
Antes de escalar
Sei por que estou escalando?
Registrei o que já foi testado?
Enviei evidências?
Expliquei comportamento atual × esperado?
Antes de encerrar
O problema foi resolvido?
O cliente entendeu a solução?
A solução ficou documentada?
Esse conhecimento deveria virar artigo?
18. E talvez o mais importante: cultura de time
1. Ajude o colega
Se você já resolveu aquele problema, compartilhe o caminho.
2. Não esconda conhecimento
Conhecimento compartilhado fortalece o time.
3. Pergunte antes de escalar
Mas também não fique horas preso sozinho em algo que precisa de outra área.
4. Questione processos
Se algo gera muitos tickets, talvez o problema não seja o usuário.
5. Observe padrões
Um ticket isolado pode ser problema operacional.
50 tickets semelhantes podem indicar problema estrutural.
6. Transforme recorrência em ação
Se o mesmo problema aparece repetidamente:
Ticket → padrão → causa → ação preventiva.
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